Um “dia desses” (leia-se nos tempos das aulas da graduação) amanheceu chovendo, uma chuvinha ralinha daquelas que você olha pro céu e pensa: “daqui a pouco passa”, acordei atrasada pra aula e como se não bastasse ainda por cima ao abrir o chuveiro constatei que estava faltando água em casa, mesmo com tudo isso minha pobre alma nerd e caxias não poderia ter pensando em ficar em casa, sabe como é, final de semestre da faculdade tenho que dar o gás ( pensei comigo). Depois de muito divagar sobre a questão do ambientalismo (Vá a pé), o preço da gasolina (caríssima) e do quanto eu economizaria colocando a preguiça de lado e indo de buzão a faculdade e a lugares que eu certamente poderia ir deixando o carro em casa e poluindo menos a cidade fui. Logo que cheguei à parada passou um ônibus ao qual fiz sinal para que parasse a chuva caia cada vez mais forte do lado de fora da janela , mais eu ignorei o fato e continuei o meu caminho linda, morena, feliz e saltitante, e a chuva a essa altura tinha passado de ralinha a dilúvio. A cada parada subiam dez passageiros, entre trabalhadores braçais, peões cheirando a sabonete misturado com suor, estudantes e pessoas anônimas que seguiam seu caminho lá estava eu me sentindo tremendamente sufocada naquela traseira apertada, num determinado ponto da rodovia a situação que não estava das melhores resolveu piorar um pouquinho só pra variar e um engarrafamento quilométrico se formou ao longo da estrada. Sinceramente não sei como sobrevivi, além de ter que agüentar as brincadeirinhas e piadinhas sem graça e de mal gosto da multidão aglomerada na traseira daquele coletivo por conta da lentidão do motorista,ainda tinha a “turma do mate alguém” com seus odores e gases. Depois de quase 40 minutos de congestionamento ao qual eu sobrevivi bravamente, subi ligeirinha a treze de maio pensando em não me atrasar nem mais um minuto, nesse exato momento paro e vejo a minha sorte ao correr os 100 metros rasos para não perder o pici unifor que vinha passando e ver que a tira da minha sandália havia se partido. Para fechar com chave de ouro a manhã glamorosa que eu estava tendo quando estava quase chegando na UFC comecei a sentir uma cólica fininha no meu abdômen e constatei que a companheira menstruação havia chegado e pensei comigo: agora não falta mais nada, mas é claro que ainda faltava sim, faltava alguém vir me dizer ao chegar no prédio da engenharia de alimentos que a professora não tinha vindo dar aula porque estava com dengue e que ainda por cima a universidade inteira estava sem energia elétrica por conta de um transformador que havia explodido logo cedo.
Ps: Depois de toda essa maratona só me restou não reclamar e fazer todo caminho de volta pra casa, tomando banho de chuva, com a alça da sandália partida, cheia de cólicas menstruais, mas a boa noticia é que dessa vez o ônibus não estava lotado.
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