Não é de hoje a minha estreita afeição pelas pessoas idosas, de certo todas me fazem lembrar a avó linda e maravilhosa que eu tive a benção de ter em minha vida. Um dia desses estava eu subindo ligeirinha a avenida treze de maio tentando atravessar a rua quando uma senhora que tinha no mínimo uns setenta e tantos anos segurou com força no meu braço e me perguntou se poderia atravessar apoiando-se em mim, pois segundo ela, a sua vista não era lá muito boa e ela estava ali tentando atravessar havia pelo menos uns quinze minutos, é claro que ajudei com todo prazer e como não poderia deixar de ser aproveitei pra puxar conversa, ela me falou um pouco de sua vida, me disse que morava sozinha e que não tinha filhos, e nem parentes próximos. O curioso disso tudo é que quem me conhece sabe que sou desconfiada ao extremo e não sou de falar muito quando não conheço as pessoas, mas a minha capacidade de tagarelar quando encontro um longevo é impressionante, parece que não há assunto no mundo que se esgote. Ao chegar do outro lado da avenida ela me agradeceu pela ajuda, se despediu e se foi com seu andar lento e meio trôpego e eu segui o meu caminho pensando: será que quando a longevidade chegar à minha vida eu encontrarei pessoas pacientes, amigáveis e que tenham o grande respeito que eu tenho pelas pessoas que já deram sua grande contribuição para sociedade, mas continuam ali firme e fortes na luta?
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